Escritura e registro em São Paulo: etapas, ITBI e como estimar os custos
Números deste texto: vendas com ITBI pago na cidade de São Paulo, set/2025 a ago/2026, salvo indicação. Como calculamos →
Comprar um imóvel é uma sequência de documentos e pagamentos que acontece fora do anúncio: imposto na Prefeitura, escritura em tabelionato, registro em cartório de registro de imóveis. Quem negocia pelo preço do m² e esquece essa sequência subestima o custo final e se confunde com prazos. Este texto organiza as etapas, mostra de onde vem o custo de cada uma e aplica a regra do ITBI da Prefeitura aos valores medianos das 83.002 vendas válidas de apartamento e casa que processamos entre set/2025 a ago/2026.
Um aviso sobre o que não fazemos: não publicamos valores de emolumentos de cartório. As tabelas são do estado, mudam todo ano e dependem da faixa de valor do imóvel. Indicamos onde estão as oficiais. Também não somos cartório nem escritório de advocacia, e este texto não é orientação jurídica.
As etapas
A ordem entre a guia do ITBI e a escritura varia conforme o caso; o que segue é a lista dos atos, e não um cronograma fixo.
- Negócio e documentos. Comprador e vendedor acertam preço e condições. A documentação do imóvel inclui a certidão atualizada da matrícula, e a das partes, os dados de identificação.
- ITBI. O comprador emite a Declaração de Transações Imobiliárias no site da Prefeitura e paga a guia, em parcela única, segundo a página de perguntas e respostas da Secretaria da Fazenda (consulta em out/2026). Para primeiro imóvel residencial de até R$ 245.527,77 (valor a partir de 01/01/2026), a Prefeitura prevê isenção, que se pede levando ao cartório a Declaração para Isenção do ITBI-IV. Detalhes em ITBI em São Paulo: como funciona.
- Escritura. O contrato de compra e venda é, em regra, formalizado por escritura pública. O material do CRECI-SP que consultamos diz que a lei admite, em casos específicos, o instrumento particular.
- Registro. O título é apresentado ao cartório de registro de imóveis da situação do imóvel. O oficial qualifica o título: examina a legalidade, a descrição do imóvel, a cadeia de titularidade e a identificação das partes. Se houver irregularidade, o título volta com exigências. Estando conforme, o registro é lançado na matrícula.
O ponto que costuma confundir é que escritura e registro são atos distintos, feitos em cartórios distintos. A escritura sozinha não encerra a compra: o registro é o ato que lança a transferência na matrícula. A data que a Prefeitura chama de data da transação é a da celebração do instrumento ou da escritura, e não a do registro nem a do pagamento do imposto.
O que isso muda para quem lê o nosso dado
O arquivo da Prefeitura registra uma linha por declaração paga, no mês de referência da tabela. Para a nossa série mensal, o mês é, portanto, o do pagamento da guia. O arquivo só registra o pagamento da guia, e não a escritura nem o registro; a distância entre esses atos varia de caso a caso e não a medimos. Para preço isso importa pouco; para quem quer saber “quando a venda foi concluída”, importa. Veja consulta de transações imobiliárias em SP e volume de vendas por mês.
A lei que obriga a publicação (Lei municipal 18.161/2024) pede que os dados tragam, no mínimo, a matrícula e o cartório de registro de cada imóvel. O nosso arquivo agregado não carrega essas colunas; trabalhamos por distrito.
De onde vêm os custos
ITBI: imposto municipal
É o maior item identificável. A alíquota geral é de 3% sobre a base de cálculo, que é o maior valor entre o da transação e o valor venal de referência. Em financiamentos do SFH, PAR, HIS ou consórcio, para imóvel de até R$ 725.808,00, a alíquota é de 0,5% sobre o financiado até R$ 120.968,00 e de 3% sobre o restante (contratos a partir de 01/01/2026, página de cálculo da Prefeitura, consulta em out/2026).
A tabela aplica essa regra ao valor mediano de cada faixa de tamanho. É uma simulação com o valor mediano das vendas do nosso dado, assumindo que o VVR não é maior que o declarado e que, no caso do financiamento, o valor financiado é pelo menos R$ 120.968,00:
| Área construída | n | Valor mediano | À vista / financiado | ITBI à vista (3%) | ITBI com SFH |
|---|---|---|---|---|---|
| Até 44 m² | 5.886 | R$ 265.000 | 76% / 24% | R$ 7.950 | R$ 4.926 |
| 45 a 69 m² | 10.570 | R$ 273.000 | 60% / 40% | R$ 8.190 | R$ 5.166 |
| 70 a 99 m² | 15.752 | R$ 355.000 | 55% / 45% | R$ 10.650 | R$ 7.626 |
| 100 a 149 m² | 17.265 | R$ 550.000 | 57% / 43% | R$ 16.500 | R$ 13.476 |
| 150 m² ou mais | 15.775 | R$ 1.279.000 | 67% / 33% | R$ 38.370 | R$ 38.370 |
Apartamentos, compra e venda, set/2025 a ago/2026. A coluna “à vista / financiado” é a proporção de vendas de cada tipo na faixa. Simulação com a regra da Prefeitura, não é guia real. Fonte: Prefeitura de São Paulo (ITBI), processamento Imóveis m².
Duas leituras. Primeiro, o ITBI à vista é sempre 3% do valor, o que para o apartamento de 70 a 99 m² chega a R$ 10.650. Segundo, o desconto do financiamento vale o mesmo em reais (R$ 3.024) para qualquer imóvel que se enquadre, então pesa mais nos imóveis baratos. Já a primeira aquisição de imóvel até R$ 245.527,77 pode ser isenta. Nenhuma mediana de faixa da tabela fica abaixo desse limite, mas a mediana não diz quantas vendas individuais ficam abaixo dele.
Emolumentos: escritura e registro
Escritura (tabelionato de notas) e registro (cartório de registro de imóveis) cobram emolumentos fixados em tabela estadual, por faixa de valor. Segundo a ANOREG/SP, a tabela de 2026 entrou em vigor em 8 de janeiro de 2026. O CNB/SP publica a tabela base de 2026 de notas, em planilhas, com a anotação “Alterado em 22/12/2025”. Para o registro de imóveis, a ANOREG/SP aponta o site da Arisp, a associação dos registradores.
Não reproduzimos valores, por três razões: mudam todo ano, dependem da faixa de valor e um número errado aqui custaria dinheiro ao leitor. O que dá para fazer é: (1) pegar o valor da escritura, (2) calcular na tabela oficial ou na calculadora do cartório, (3) somar com o ITBI.
Na dúvida sobre qual valor será usado para enquadrar o imóvel na tabela, pergunte ao cartório antes de lavrar o ato.
Outros custos
Certidões, taxas de avaliação do banco (se houver financiamento) e despesas de regularização do imóvel entram na conta, mas dependem de cada caso e não os estimamos.
Simulação por zona
Para ver o custo do imposto no mapa da cidade, a mesma conta por zona, com o valor mediano das vendas de apartamento:
| Zona | n | Valor mediano | ITBI à vista (3%) | ITBI com SFH |
|---|---|---|---|---|
| Oeste | 15.547 | R$ 705.000 | R$ 21.150 | R$ 18.126 |
| Sul | 20.217 | R$ 505.000 | R$ 15.150 | R$ 12.126 |
| Centro | 8.145 | R$ 380.000 | R$ 11.400 | R$ 8.376 |
| Norte | 7.899 | R$ 349.000 | R$ 10.470 | R$ 7.446 |
| Leste | 13.440 | R$ 330.000 | R$ 9.900 | R$ 6.876 |
Apartamentos, compra e venda, set/2025 a ago/2026. Mesmas premissas da tabela anterior. Fonte: Prefeitura de São Paulo (ITBI), processamento Imóveis m².
A diferença entre zonas em reais é grande, e a razão é dupla: o m² varia e o tamanho do apartamento também. O ITBI é um percentual do valor total, e não do m². Para estimar o valor de um imóvel específico, o caminho é Quanto vale o m² do meu imóvel.
Quanto das compras que vemos é financiada
Nas vendas que processamos, a escritura convive com o crédito. Entre os apartamentos de set/2025 a ago/2026, 39% foram financiados (n=25.254 de 65.248), e o valor mediano dessas vendas é R$ 435.000. Em financiamento, a regra do ITBI com faixa reduzida depende do tipo de contrato e do valor financiado. O panorama completo está em quanto das vendas é financiada em SP e a comparação de valores em ticket médio financiado x à vista.
Checklist antes de assinar
- Conferir a certidão atualizada da matrícula e a identificação das partes.
- Emitir o ITBI apenas pelo site da Prefeitura. A página de perguntas e respostas avisa que a Prefeitura não envia guias por WhatsApp ou outros canais de contato.
- Verificar se o imóvel se enquadra na alíquota reduzida ou na isenção, e levar a declaração ao cartório quando for o caso.
- Pedir ao tabelionato e ao registro de imóveis a conta de emolumentos, com a tabela de 2026 em mãos.
- Guardar o comprovante do ITBI e o título registrado.
- Usar a mediana do distrito para conferir se o valor da escritura está na faixa das vendas declaradas na região. Isso não é avaliação: o aviso legal explica por quê.
As informações oficiais citadas foram consultadas em out/2026 e podem mudar. Confirme sempre nas páginas da Prefeitura e nos cartórios antes de fechar.
Perguntas frequentes
Escritura e registro são a mesma coisa?
Não. A escritura pública é lavrada em tabelionato de notas e documenta o negócio. O registro é feito no cartório de registro de imóveis da situação do imóvel e é o ato que lança a transferência na matrícula. O material do CRECI-SP que consultamos descreve o registro como um processo de apresentação do título, qualificação pelo oficial e lançamento na matrícula.
Quanto custa registrar um imóvel em São Paulo?
Depende do valor do imóvel, porque os emolumentos seguem tabelas por faixa de valor definidas para o estado. A tabela de 2026 está em vigor desde 8/1/2026, segundo a ANOREG/SP. Não reproduzimos valores aqui: use a tabela oficial ou a calculadora do cartório, porque ela muda todo ano.
O ITBI entra nos custos de escritura e registro?
O ITBI é um imposto municipal pago à Prefeitura, e não um emolumento de cartório. Mas faz parte do custo total da compra. Em São Paulo, a alíquota geral é de 3%, com redução para financiamentos do SFH, PAR, HIS e consórcio, conforme a Prefeitura em out/2026.
A data que aparece no arquivo de ITBI é a da escritura?
Não necessariamente. A página da Prefeitura diz que cada linha é uma declaração paga no mês de referência da tabela, e que a data da transação é a da celebração do instrumento ou da escritura. O mês que vemos no nosso processamento é o do pagamento da guia.
Fontes
- Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Fazenda: ITBI, Cálculo do Imposto (consulta em out/2026)
- Prefeitura de São Paulo, Secretaria Municipal da Fazenda: ITBI, Isenções e Incentivos Fiscais (consulta em out/2026)
- ANOREG/SP via Portal do RI: tabelas de custas e emolumentos dos cartórios de São Paulo para 2026, em vigor desde 8/1/2026
- Colégio Notarial do Brasil, Seção São Paulo (CNB/SP): tabelas de custas e emolumentos padrão, tabela base 2026
- CRECI-SP: material "Registro de Imóveis" (documento de 2004, usado apenas para a descrição das etapas)