Preço do m² em São Paulo, 2024 a 2026: a série mensal das vendas reais

Publicado em 23/10/2026 · Última atualização em 23/10/2026

Números deste texto: vendas com ITBI pago na cidade de São Paulo, set/2025 a ago/2026, salvo indicação. Como calculamos →

Quanto subiu o preço do metro quadrado em São Paulo? A resposta depende de qual preço: o do anúncio, que mostra o que se pede, ou o declarado nas vendas registradas, que mostra o que foi pago. Este texto usa o segundo. São as 213.081 vendas válidas de apartamento e casa que processamos de jan/2024 a ago/2026, mês a mês. A série é curta, e vamos mostrar o que ela permite afirmar e o que não permite.

Convenções: m² é o valor declarado dividido pela área construída do IPTU, que inclui a fração de áreas comuns e por isso fica abaixo do m² privativo dos anúncios (explicação); os valores são nominais, sem correção por inflação; e o mês é o do pagamento da guia de ITBI, e não o da escritura (metodologia).

Por ano: dois anos completos e um parcial

AnoApto: nApto: mediana (R$/m²)Apto: área medianaApto: P25–P75Casa: nCasa: mediana (R$/m²)Casa: área mediana
202460.7074.663105 m²3.409–6.29617.0014.394119 m²
202563.4754.909102 m²3.582–6.65317.2544.466120 m²
2026 (parcial)43.0725.055100 m²3.727–6.81111.5724.646119 m²

Compra e venda válida após os filtros. 2026 é parcial, até ago/2026. Fonte: Prefeitura de São Paulo (ITBI), processamento Imóveis m².

Entre anos completos, a mediana do m² de apartamento subiu 5,3%, de R$ 4.663 para R$ 4.909. Nas casas, subiu 1,6%, de R$ 4.394 para R$ 4.466. O ano de 2026 mostra R$ 5.055 no apartamento e R$ 4.646 na casa, mas não é comparável ao ano inteiro anterior: meses diferentes têm vendas de tipos diferentes, e a comparação correta é mês contra o mesmo mês.

Mês a mês, apartamentos

MêsnMediana (R$/m²)Área mediana (m²)Variação sobre o mesmo mês do ano anterior
jan/20243.4444.541108–
fev/20243.8544.421105–
mar/20244.5494.510105–
abr/20245.6814.769103–
mai/20245.2604.661107–
jun/20245.2714.627105–
jul/20245.5124.569106–
ago/20245.8884.694101–
set/20245.4254.630105–
out/20245.5224.787106–
nov/20245.0154.787103–
dez/20245.2864.864106–
jan/20254.4504.762105+4,9%
fev/20254.9294.833102+9,3%
mar/20254.8664.819104+6,9%
abr/20255.4144.908104+2,9%
mai/20255.5684.948103+6,2%
jun/20255.4194.88698+5,6%
jul/20255.3414.945101+8,2%
ago/20255.3124.926103+4,9%
set/20255.5184.938101+6,7%
out/20255.8614.985101+4,1%
nov/20254.8234.974101+3,9%
dez/20255.9744.981101+2,4%
jan/20264.1055.063101+6,3%
fev/20264.2585.00099+3,5%
mar/20265.7875.000101+3,8%
abr/20265.2155.041101+2,7%
mai/20265.5725.085101+2,8%
jun/20265.8215.050100+3,4%
jul/20266.3245.064100+2,4%
ago/20265.9905.10299+3,6%

Apartamentos, compra e venda, mês de pagamento da guia. Fonte: Prefeitura de São Paulo (ITBI), processamento Imóveis m². A série completa e as casas estão em série mensal.

Leitura da série

  • Tendência de alta nominal. A mediana mensal vai de R$ 4.541 (jan/2024) a R$ 5.102 (ago/2026). O mínimo da série é fev/2024 (R$ 4.421) e o máximo, ago/2026 (R$ 5.102).
  • Desaceleração da variação anual. Em 2025, a variação sobre o mesmo mês do ano anterior ficou, em média simples, em 5,5% ao mês de comparação; em 2026, até ago/2026, em 3,5%. Nas casas, 1,6% em 2025 e 3,8% em 2026. A alta continua, num ritmo menor no apartamento.
  • Ruído mensal. Entre um mês e o seguinte, a mediana varia, em média, 1,3%, e caiu em 12 dos 31 meses. Uma queda de um mês não é reversão de tendência.

E as casas

A casa tem série mais ruidosa, porque cada mês traz cerca de um quarto das vendas do apartamento. A tabela compara a variação sobre o mesmo mês do ano anterior nos dois tipos, nos meses de 2026:

MêsApto: variação anualCasa: variação anualCasa: n
jan/2026+6,3%+4,3%1.087
fev/2026+3,5%+6,6%1.204
mar/2026+3,8%+3,8%1.563
abr/2026+2,7%+1,1%1.371
mai/2026+2,8%+1,6%1.507
jun/2026+3,4%+3,3%1.592
jul/2026+2,4%+6,3%1.696
ago/2026+3,6%+3,8%1.552

Mediana do m², compra e venda, mês de pagamento da guia. Fonte: Prefeitura de São Paulo (ITBI), processamento Imóveis m².

A casa teve meses de variação negativa em 2025 (por exemplo, set/2025, com -1,0%), e em 2026 a variação ficou positiva em todos os meses da tabela, em média 3,8%. Com amostras mensais de cerca de mil a pouco mais de mil e seiscentas casas, uma variação de um ou dois pontos entre meses pode ser só oscilação de amostra, e por isso preferimos olhar o ano e a média de vários meses.

Por que cuidado com a leitura

1. A composição da amostra muda

O m² mediano depende de quais imóveis foram vendidos no mês. A área mediana do apartamento caiu de 105 m² em 2024 para 102 m² em 2025 e 100 m² em 2026. Como apartamentos pequenos têm m² mais alto (apartamentos pequenos e studios), parte da alta do m² pode vir de mais unidades pequenas entre as vendidas, e não só de preço maior para o mesmo imóvel. O arquivo agregado não permite separar os dois efeitos mês a mês. A participação de imóveis novos também pesa (novo x usado).

2. O mix de financiamento se movimentou

A proporção de vendas com financiamento oscilou entre 2024, 2025 e 2026 (de 41% a 34% e 43%), e a participação do Minha Casa Minha Vida também (2%, 2% e 4%). Esses grupos têm m² diferentes (ticket financiado x à vista), de modo que uma mudança de mix se reflete na mediana da cidade. Veja quanto das vendas é financiada.

3. O mês é o do pagamento da guia

Uma venda assinada em dezembro e paga em janeiro entra em janeiro. Isso suaviza ou desloca picos, e vale mais ainda para o fim e o começo do ano. O volume mensal e sua sazonalidade estão em volume de vendas por mês.

4. Nominal, não real

Não deflacionamos. Parte da alta nominal acompanha a inflação do período, e não calculamos quanto. Para uma série real, é preciso aplicar um índice de preços, que não incluímos.

5. A série é curta

Os arquivos que processamos começam em jan/2024. Trinta e dois meses não mostram um ciclo imobiliário completo, e nada nesta página permite afirmar bolha, pico ou piso.

O que dá para dizer com honestidade

Com os cuidados acima, três afirmações se sustentam: (1) nas vendas declaradas, a mediana nominal do m² de apartamento é maior em 2025 que em 2024, em 5,3%; (2) a variação de cada mês contra o mesmo mês do ano anterior foi positiva em todos os meses da série de apartamento que permitem a comparação; (3) o ritmo da alta anual é menor em 2026 que em 2025. Não dá para dizer quanto da alta é “preço do mesmo imóvel” e quanto é mudança do que se vende.

A Prefeitura atualiza o arquivo do ano corrente todo mês, e nós refazemos o processamento a cada atualização. Os números podem mudar entre uma atualização e outra, inclusive porque a Prefeitura corrige arquivos quando encontra erro (a página de dados avisa que refez os de 2019, 2020 e 2021). Quando isso acontecer, a data de atualização no topo da página muda.

Para olhar o seu distrito e não a cidade, a tabela mestre em preço do m² por distrito traz a mediana de 12 meses com amostra e período, e Quanto vale o m² do meu imóvel estima a faixa por tamanho e idade. O método completo está em como calculamos o preço do m².

Perguntas frequentes

Quanto subiu o m² em São Paulo de 2024 para 2025?

A mediana do m² de apartamento passou de R$ 4.663 (2024, n=60.707) para R$ 4.909 (2025, n=63.475), alta de 5,3%. Nas casas, de R$ 4.394 (n=17.001) para R$ 4.466 (n=17.254), 1,6%. São valores nominais, sem correção por inflação, e comparam anos completos.

Por que não comparam 2026 com 2025 pelo ano inteiro?

Porque 2026 é parcial: o arquivo vai até ago/2026. Comparamos mês com o mesmo mês do ano anterior. De jan/2026 a ago/2026, a variação anual mensal da mediana de apartamento ficou entre 2,4% e 6,3%.

A série mostra uma bolha ou uma queda?

Não mostra nenhuma das duas. A série de vendas declaradas, de jan/2024 a ago/2026, tem tendência de alta moderada em valores nominais, com oscilação mensal. Uma série de 32 meses não permite concluir sobre ciclos de mercado.

O m² de um distrito segue a mesma série da cidade?

Não necessariamente. A série da cidade mistura todos os distritos, e a composição da amostra muda mês a mês. Para um distrito, a tabela mestre traz a variação entre anos completos quando a amostra permite.

Fontes